13 de fevereiro de 2006

Sobre a Santa Bárbara

o espectro e' o meu novo top.

* * *

Enquanto espero pelas meias que secam na máquina, lembrei-me de escrever qualquer coisa sobre o nome aqui da folha. A Santa Bárbara foi torturada e degolada pelo pai (porquê não sei nem vou investir muito esforço na coisa), tal como contam os panos da Maria Barraca que é uma artista popular e pastora da Mizarela, Guarda. Foi aí que vivi até à Universidade (na Guarda, não na pequena aldeia da Mizarela) e cheguei a conhecer a pastora através dos meus pais e de amigos (esses sim, da Mizarela). Os panos são nada menos que uma espécie de bordados copiados muito livremente de um caderno que a pastora levava para o monte e que contava a vida da Santa. Quando era pequeno, os meus pais compraram e encaixilharam meia dúzia deles, e eu achava-os horríveis e não percebia nada do que lá estava escrito. Neste momento estão no Museu da Guarda (alguns - acho) e são absolutamente fantásticos, para quem gosta de arte popular como eu.
Mais tarde descobri que a Santa era a padroeira dos arquitectos, e mais tarde ainda, sem grande convicção (na época) entrei para a Faculdade de Arquitectura no Porto.
No meu quinto ano fui para Roma, e aí descobri o Largo dei Librai, com a igrejinha da Santa Bárbara dedicada, também, aos livreiros (ao que parece, os santos têm muitas obrigações). Nesse sítio cortejei abundantemente todas as raparigas que pude (ainda que com pouco sucesso), mais por mim do que por elas, pela ideia de que seduzir uma mulher naquele espaço mágico – uma praça formada dentro de um teatro romano, com um dos lados aberto para a confusão do Campo de’ Fiori, e o outro completamente ocupado pela fachada da igreja – era o triunfo total da beleza como modo de vida. Confesso que esta obsessão é um dos meus pecados, ainda que, espero eu, não demasiado. De qualquer maneira, a fachada, que se debruçava sobre a minúscula esplanada da gelataria (onde levava as moças a comer o iogurte gelado com fruta granizada) é a imagem do blog.
Em Outubro vim para Nova Iorque e não há nada que tenha a ver com a dita Santa que não seja a minha profissão, mas um dia hei-se ser rico e voltar a viver em Roma e na minha casa no Largo dei Librai hei-de ter os panos da Maria Barraca.

3 comentários:

andrea disse...

como diz a minha avózinha... estamos sempre a aprender!! sou arquitecta mas na verdade o meu sonho é abrir uma livraria... com o atelier ao lado!!!
...pois mal eu sabia que era Santa Bárbara que me guiava...

Anónimo disse...

Ma che pecato!
Não me lembro nada dessa pracinha...se calhar passei por lá imensas vezes, mas não me lembro de teres referido a igreja da tua Santa!

Anónimo disse...

hoje, por acaso(ou nao tanto, porque tive com o Giovani e com ppl Erasmus na bela cidade do Porto!)decidi vir ler qq coisa no teu blog... e aki está a descrição de um lugar que tao bem conheço;)!!aquela pracinha da igreja d SantaBarbara... e talvez seja por termos morado um ano na mm casa,que ja sabia algumas destas coisas...mas tamos sp a aprender!verdade!
espero k tejas bem pela grande cidade, k tb espero um dia vir a visitar e a saborear!!
um abraço Joana Marques